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Ciclovia muda paisagem de Sorocaba


Cidade conta com 60 quilômetros de vias para bicicletas, a segunda maior rede do País, e pedalar já virou hábito entre os moradores

Interligação. É possível ir de bicicleta da zona sul à norte sem sair das pistas, que têm calçamento com pintura vermelha, sinalização, iluminação e paisagismo

SOROCABA
A sólida Monark sem marchas do promotor de vendas Ricardo Lopes, que já tinha sido aposentada, voltou à ativa. Lopes integra um grupo de ciclistas que se tornou usuário assíduo da malha de ciclovias de Sorocaba, a 92 km de São Paulo. Duas vezes por semana, eles se reúnem para passear de bicicleta. A cidade tem a segunda maior rede de ciclovias do País, com 60 quilômetros, perdendo apenas para o Rio. Como comparação, a capital paulista tem 50 quilômetros – quase metade, porém, em parques.

Andar de bicicleta nunca foi uma tradição de Sorocaba, uma cidade com 300 mil veículos – um para cada dois habitantes. A topografia urbana irregular também parecia não colaborar. Bastou o poder público investir na construção de ciclovias para ocorrer uma pequena revolução. De repente, as 190 mil bicicletas que existem na cidade começaram a ser vistas na rua. Muitas delas, como a de Lopes, estavam enferrujando por falta de uso.

O interesse dos moradores levou a prefeitura a lançar um plano cicloviário que prevê, até 2012, 100 quilômetros de vias exclusivas para bicicleta. “O projeto traz um conceito de qualidade de vida e mobilidade urbana, pois garante segurança aos ciclistas, além de ser uma opção econômica e não poluente”, diz Renato Gianolla, da empresa municipal de trânsito e transportes.

As ciclovias já interligam quase toda a cidade. É possível ir da zona sul à zona norte sem sair das pistas com calçamento de pintura vermelha, sinalização, calçadas para caminhadas, iluminação e paisagismo. O percurso mais procurado sai da Avenida Santa Cruz, na zona oeste, passa pela sul, margeia o Rio Sorocaba, corta a região leste e termina na norte: 18 quilômetros. Pode-se fechar o anel pelo contorno do aeroporto e bairro Wanel Ville, retornando ao ponto inicial.

A prefeitura está instalando 40 paraciclos, pontos de estacionamento, cada um com capacidade para 12 bicicletas. O projeto prevê a criação de bicicletários com serviços de apoio aos usuários e dispositivos para facilitar a integração do sistema com o transporte coletivo. O primeiro, com 60 unidades, já funciona no Terminal Santo Antonio. Nesses locais será possível alugar bicicletas por uma taxa.

A prefeitura também criou programas como o Pedala Sorocaba, que reune, aos domingos, até mil ciclistas. Há ainda uma versão noturna do passeio.

O plano cicloviário garantiu a Sorocaba uma boa colocação no projeto Município Verde Azul, do governo estadual, que premia cidades preocupadas com a água e o meio ambiente – foi a primeira colocada entre os municípios com mais de 100 mil habitantes. Recebeu ainda o prêmio especial de Melhor Ciclovia do Estado.

Desde que o projeto começou, há quatro anos, as vendas de bicicleta estão em alta, segundo Joel Lourenço de Camargo, da Avenida Bike Sport. “Vendemos de 20% a 30% mais.”

“Estrangeiros”. Ciclistas de várias partes do País descobriram as ciclovias de Sorocaba. O engenheiro paulistano Alexandre Salum, que tem parentes na cidade, passou a trazer a bicicleta nas visitas de fim de semana.

Ele já participou de competições e hoje pedala por hobby. “Não imaginava encontrar uma estrutura tão boa aqui”, diz. Grupos de Piracicaba, Americana e Campinas incluíram Sorocaba em seus destinos.

Os integrantes do Sorocaba Bikers, que reúne competidores e aficionados, fizeram o caminho inverso. “Antes, saíamos para pedalar fora com outros grupos. Agora, ficamos por aqui e são eles que vêm andar com a gente”, conta o aposentado Jorge Wagner Streani, de 57 anos. A cidade já recebeu pedaleiros de Goiânia e Brasília.

A estudante Hillary Branco Camargo trocou a academia pela ciclovia. “Passei a ver a cidade mais de perto, o que não fazia de carro.” O também estudante Alberto Diniz adotou a bicicleta como meio de transporte. “Vou à escola, ao trabalho, à academia, faço tudo de bike”, afirma.

William Fernando Gregório, participante do Sorocaba Bikers, dá dicas de acessórios: capacete, luvas, protetor solar e óculos escuros. A bike deve ter retrovisor, campainha, luzes dianteira e traseira, além de sinalização noturna nos pedais. Ele recomenda o uso de roupas leves, bermuda ou calça de lycra.

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